domingo, março 28, 2004

LAÇO VAZIO

O fundo preto de seus olhos não me diz mais nada
a pressão que você exerce não tem mais o mesmo valor
nada é mais igual ao dias que virão
Uma morte simboliza o começo

Tudo é igual sempre, a morte é a mesma
dentro da minha sala de jantar vazia
a mesma toalha furada, remendada
o mesmo prato de sopa fria. os dias passam silenciosos.

Sinto-me em uma casa sem paredes
como se o mundo lá fora me assistisse
trocando de canal
as vezes desligando-me do tubo de oxigênio

Eu me sinto como um programa de domingo
uma guardanapo manchado de vinho
banhado em vicio. Por que todos os dias são iguais?
Sempre parece o mesmo céu, o mesmo cinza

Acho que até o mesmo poema
diversas palavras dizendo sempre a mesma coisa
a escuridão dos pensamentos me atigem em varias cores

Sempre o mesmo vazio, abro o dicionário
e não encontro definição para nada
a palavra vazio foi arrancada do meu livro
e eu nem sei mais onde estou, há um buraco dentro de mim.

E nesse buraco pulo
indo mais fundo ainda na minha depressão
caio e fico como estou
esperando os insetos entrarem no meu corpo

Pela minha boca, pelos meus poros
eles me invadem sem festejo, sou moradia do desespero
as paredes me pressionam, eu não consigo respirar
as lágrimas me sufocam, insetos dentro do meu olhar
abaixo e dentro da terra me abrigo.

Converso com a escuridão
que me responde fazendo ecos
sem pensar, faço uma laço

Lanço por uma viga e me lanço
no espaço entre as paredes e o teto, eu me lanço
sem me importar se isso é certo
eu não quero mais vozes vazias dentro da minha cabeça.

Eu não quero mais nada
não quero essa vida, esse mundo
isso e aquilo....adeus!!
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P.S.: Meu e de minha amiga!

sábado, março 27, 2004

NOMES

Apenas nomes
nada mais que isso
te vejo nas letras
te escuto nas letras
te sinto nas letras

Nem mais que a crueldade
Nem mais que o unico forte

Não quero mais nada
pessoas, letras são
nomes, abc ou d

Garanto um universo novo
bem mais , mal mais
Risada da palavra

Junto com a minha forma
a caneta te desenha
fazendo curvas
cortando t
pingando i
nomes e mais nomes
tudo tem um nome
nós somos apenas nomes
O h tem nome
O f tem nome
O g tem nome

A música tem nome
O poema tem nome
O prédio tem nome
O vizinho tem nome... Filha da ****!

Nomes nem tão educados
mas são nomes,
para onde eu quero que você vá
tem um bonito nome, santa comédia

Sem as palavras você diz muitas coisas
e eu caço as palavras no ar
levo-as para meu cérebro,
meu entendimento
Até sem voz os nomes são ditos

terça-feira, março 23, 2004

APENAS UM SORRISO

Isso só é o fim
do começo de um cara,
um cara com rosto triste
precisando apenas de um sorriso

Entre o fim e o começo perco-me
Nem sei bem que rua é essa
Aonde estou?
Perdido entre ruas e definições
Querendo me fincar em um sorriso

Carregá-lo comigo para onde quer que eu vá
Segurá-lo entre minhas mãos

Quero você com um jeito inocente ao sorrir
para amar-te de todas as formas que o amor se molda
Ou simplesmente amar você, seu sorriso
da forma mais sincera e natural do mundo
Não quero nada em troca, apenas seu sorriso

Definir isso para mim é difícil
Penso que o que sinto não precisa ser explicado
Nem sei aonde quero chegar com isso
Apenas não quero ficar perdido nessa rua
Quero ter meu destino apontado para você

Nem assinarei esse poema
Não quero que você leia-o sabendo que fui eu que o escrevi
Quero ficar num amor escondido
num amor bandido, pensando melhor
um amor bandido não, sei que você achará isso muito cômico
e realmente é!
Mas não disse que quero apenas seu sorriso?
Então...

Acima de tudo quero um sorriso sem passado
Talvez isso seja muito decepcionante para mim
Mas o meu passado é decepcionante, infelizmente...
Mais um motivo que não assino no fim

Escondendo-me atrás de palavras
atrás desse amor

Tenho apenas um pedido a lhe fazer
que me deixe vê-la sorrir
nem que eu seja o motivo da graça toda
só quero me alimentar de seu sorriso
só quero ficar feliz com seu riso

Prometo que vou amar mais seu sorriso do que você
bem mais fácil...porque eu sei e sinto
que única coisa que eu posso ter de você
é seu sorriso

domingo, março 21, 2004

SENTIDO VESTIDO

A luz não entra pela janela dos meus olhos
não penetra nos vãos da minha alma rasteira.
Todas as estrelas parecem querer penetrar nos meus segredos,
querendo desmantelar o que eu achava verdade. O meu dia inteiro.

Conversa com palavras tolas
que não fazem sentido algum
mas mudam meu ânimo
trazendo-me um rumo, um caminho

Existe uma verdade dentro dessas palavras, como um lume velho
que aquece e ilumina em noite muito escura.
existe uma tristeza, uma candura em cada verbo,
como se cada parte da frase soubesse me traduzir.

e o volume e intensidade dessa verdade está bem alto
entrando nos meus ouvidos
fazendo uma briga com meus sentidos
não sei o que faço
só sei o que quero

Eu nem sei bem onde preciso estar, eu não tenho um lugar
as palavras batem contra o meu ouvido
soam sinos e ecos. Silêncio e bramidos
que não me deixam sonhar além do necessário.
Que não me deixam voar mais alto que a intensidade do verbo.

Jogo os últimos passos para trás
as minhas costas vêem minha alegria ao fundo
meu peito se encontra com a parede da vida
cheia de defeitos, torta, áspera...

Os pregos se enroscam nas minhas roupas
a minha tristeza se enrosca com a alegria louca
A aspereza da vida me rasga em farrapos, me lixa
e no fundo do quarto eu vejo um sentido estranho.
um sentido oculto para minha vida.

E no guarda roupa está a calça sentido
a cueca sã
minhas camisetas de juízo
a blusa que me abraça e acolhe
a segurança para sair a rua
pisar no cocô

Tudo me envolve e me absorve
cada peça me regenera de todos os sonhos.
cada parte minha se fecha dentro da minha imaginação,
e como se num casulo, eu me tranco dentro de mim,
como se usasse uma camisa-de-força com meu próprio corpo.

Final de dia...
durmo em meu caixão
afinal morreu o dia
morreu mais um dia
já vou acostumando-me
morreu mais um eu
amanha nasceram outros sonhos
outras visões

Mais um sonho queimado na fogueira das ilusões
mas um dia deitado dentro de mim.
Como se o dia não morresse de verdade, ele apenas dormitasse
dentro dos meus sonhos noturnos, se estende-se como um polvo insone
e povoa-se meus sonhos com carros, rios e pontes.

e com o desejo da morte
matar isso, matar aquilo
o sonho, o dia, o sono, a fome
ir me matando aos poucos
morro a cada segundo
afinal, todos nós sofremos de vida!
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P.S.: meu e da minha amiga, alias o poema aki de baixo também é, esqueci de dizer!

quinta-feira, março 18, 2004

ROSAS DE SANGUE

Eu não concordo com o pensamento comum
eu não entendo porque alguns morrem de jejum
enquanto outros morrem de overdose de verduras.
eu não entendo essa estrutura de vida
essa depreciação da vasilha vazia.

Eu acho certo, você errado
um entendimento
você tem o seu
e eu o meu

O que há de certo nesse mundo desregrado?
O que há de errado nesse discurso certo?
Haverá hipocrisia nas palavras vazias?
Ou haverão vermes roendo latas de farinha?
O que há de errado com o seu juízo?

Meu juízo está preso
dentro de um manicômio
perdido entres os choques, remédios
abandono

O seu juízo está preso entre linhas e ferros
Sistemas e mais sistemas de censura e condicionamento interno.
O que é a luz do sol para você? A sua cela tem janela?
Você não vê o quanto está aprisionado?
Dentro desse seu abandono forjado?

Um jardim de distância
entre o renascimento e a esperança
as rosas estão vermelhas
os cravos ferem-me, bebem do meu sangue

Meu sangue vermelho e ralo
gasto de tanto ser extraído sem piedade
não resta muita coisa dentro das minhas veias
as rosas me sugam com fervor, elas querem me esquecer
sugando-me.

Tem horas que meu sangue parece acabar...
e o que rola nas minhas veias é a sanidade
é um pouco de mim, meu reflexo do espelho
vai embora, desejando-me boa sorte!

Eu não tenho mais nada dentro de mim,
saudade, fome, dor ou tristeza.
a minha vida se esvaí como se esvaí o amor:
de forma gradual e lenta.

A única coisa que sobra é o ódio...
ódio desse amor,
amor é a fruta podre
que eu sempre jogo fora
sem um pingo de ressentimento...
Não quero ver o amor
essas rosas não servem para amantes
servem para me matar, me iludir

Tudo nesse mundo podre serve para iludir, disfarçar a dor
disfarçar a corrupção atrás dos olhares, das mãos estendidas
eu não quero que esse mundo me consuma
eu não quero que esse mundo te consuma.
então joga fora as chaves do seu devaneio,
acorde do sonho e vá embora.

Vá embora
e deixe a porta aberta...

terça-feira, março 16, 2004

DIFÍCIL ENTENDIMENTO

Eu não tenho boa memória, eu não tenho uma história
eu só tenho um flash back de um filme qualquer.
existe algo dentro de você que me pertence,
seria a minha história ou a minha alma doente?

Acho que uma alma doente,
uma alma que se evapora
saí pelos beijos a toa
o desperdício de uma alma tola
saí correndo,
procura-se

Existe algo de mim preso entre os seus sonhos, as suas ruas
mas você nem se importa, joga fora o meu catálogo,
onde as partes da minha memória tinham ficado.
os meus pensamentos voam pela rua como folhas soltas.

Aquela rua que anda sozinha
ecoando passos que não existem
a sombra criada abaixo da luz
pode ser daquela alma procurada
pode ser daquela pessoa odiada

Tantas são as possibilidades, tantas são as placas
a minha alma vira a esquerda, numa rua abandonada.
mas não há ninguém lá, nenhuma alma penada,
somente a minha sombra esquecida e descarada.

Tantos caminhos que levam para o mesmo fim
a pedra que foi atacada em minha cara
faz ele tropeçar mais adiante
irregulares, tensos...os minutos
o tempo me avisa
preciso correr
viver a fantasia
celebridades
TV

Eu preciso roubar de mim o que falta em você
mas é tão curto o tempo. Eu encurto o meu jeito
para não tentar esquecer. Eu jogo fora todas as coisas fúteis
eu jogo fora o que me liga ao mundo que você vê.

Você para mim é mais fútel que a novela
jogue-se fora, um favor você faz
recicle-se...
a sua rua, sua sombra, sua luz,
seus pensamentos
O mundo que eu vejo?
você, numa caixa quadrada....

Jogue-se fora, dispa-se da sua hipocrisia
deixe o meu pensamento a salvo da sua monotonia
Escureça a sua rua, deixe a minha rua liberta
eu não tenho intenções de fechar as paredes da sua cela, do seu cubo escuro,
mas pretendo colar-lhe todas as faces, deixando teu mundo obscuro.

Não tenho mais respostas a lhe dar
minha cabeça pesa nesse momento
meu cérebro enojado com suas palavras
você me dá preguiça de pensar

Eu não tenho tempo para gastar, fecho as janelas
eu não tenho culpa, eu não tenho tempo.
Eu não tenho desculpas para rasgar como seda
eu só tenho palavras e sono.

e o que resta de mim para você
é isso:
.

sábado, março 13, 2004

ATORES REAIS

Criando histórias...
para o seu passa-tempo
Sem fidelidade com a verdade
você acredita em tudo que eu escrevo?
Uso minha criatividade como inspiração
O choro falso da atriz me emociona e também me inspira
Eu sou assim, uma lágrima
inspirada e uma história falsa

Mas com o pensamento distante e o olhar
em duas lindas crianças, dormindo tranqüilamente,
um cobertor com desenhos de flores as aquece
Sonhando sonhos inocentes
cheio de cores, balas, chocolates
Esperando um outro novo dia
as acordar, talvez com o som dos passarinhos
mais mágico impossível
se elas não estivessem dormindo
no meio de uma calçada cinza

Será que aquelas lágrimas eram tão falsas assim?
Será que estou mentindo?
Antes se eu estivesse
eu quero mentir, eu desejo mentir
mas não sou uma lágrima falsa
eu quero ser tão criativo ao ponto de inventar
uma história assim...
mas não sou e necessito querer poder mentir!

quinta-feira, março 11, 2004

DESESPERO

Tentando imaginar palavras certas
para um desespero que minha cabeça cria
Você realmente quer saber o que se passa?
Dê-me a mão e seja bem vindo ao meu desespero

A nuvem escura que vigia as pessoas
não me deixa ver olhos sinceros
A boca que me acusa, que me culpa
O que eu fiz?
Uma história cansativa,
com direito a uma capítulo sem comercial

O fogo se alastra dentro do meu corpo
queima meus órgãos
e deixa meu cérebro vivo,
mantendo a chama de minha memória acessa

Não agüento mais, me entrego
manipulado pela consciência que me resta

Esse desespero inacabado
até quando durmo ele me observa
Estou preso nele, ele sorri para mim

Tentando imaginar palavras certas
para descrever o que sinto
Faço do meu desespero um poema
escrevendo-o de olhos fechados
viajo com palavras
mas estou tão vazio quanto
o espaço que existe entre elas

É horrível ficar assim
Sozinho, sentado num banco
vendo e escutando as pessoas que se misturam
no mesmo espaço musical
Violão, cavaquinho
Meu desespero aumenta ainda mais

Estou vendo também um lixo, vou jogar tudo fora
esse poema,
esse cavaquinho...

E quero ir para o lixo também
talvez alguém me recicle
mas eu vou me jogar em outro lixo
no mesmo lugar que um cavaquinho não fico,
esse maldito cavaquinho que me irrita em alto e bom som
prefiro dividir um lixo com meu desespero,
ele é um silêncio que me mata aos poucos.

terça-feira, março 09, 2004

FILME MUDO

Eu não tenho tempo para nada
eu só tenho tempo para abrir a janela
e ver o céu morrendo diante de mim
meu dia está vazio. Mas isso não me incomoda.

Vejo o céu de azul ir para o preto...
amanhã outro dia irá morrer...
e não vou ter tempo para nada
só tempo para ficar na cama vendo o dia
esperando ele morrer para fazer tudo de novo!

E assim vou me consumindo
vendo o tempo se arrastar diante de mim
diante dos ponteiros do relógio me conservo inerte
o pensamento distante, o olhar envolto em trevas
eu não me sinto bem. Me sinto pedra.

Mas em um desses dias não abri a janela
minha visão não tinha a mesma graça
quis explorar outros céus... outros mares
dei passos, abri portas...

Vi mundos dentro de maçanetas
fiquei perplexo com as minhas incertezas
estariam meus olhos me enganando?
há realmente uma vida não morta atrás dessas portas?

Há vidas mortas e mortas vidas...
ou tanto faz
Eu vi seus olhos... e enxerguei além deles...

Vi sua verdade escondida
a maldade florescida

Vi o seu desejo de me manter no escuro
entendi que é você que tranca minha porta todas as noites
e some com a chave de manhã
eu não quero mais isso. Eu vou fazer copias da chave
e vou jogar na sua cara que eu tenho uma saída, uma escolha.

Há sempre um você
mesmo assim não me importo
nem quero saber mesmo...
continuo dando passos, descobrindo
e vendo a maldade e a bondade

Continuo descobrindo caminhos com meus pés
Sem precisar de suas mão me guiando no escuro
eu abro portas, abro gavetas
desvendo segredos que eu nem sonhava
ainda há vida dentro do meu peito cinza.

Abro baús também...
descubro a história
vejo roupas antigas
comparo as gerações...
prefiro o antigo...aqueles filmes em preto e branco
imagino até que naquela época não havia cores

Imagino minha vida se desenrolando num filme mudo
sem os imprevistos das palavras loucas
seria tão magico. Seria tão simples.

O simples do mudo...
simples gestos
a comédia mais inocente que já vi
é tão bonito um sorriso assim

seria tão fácil administrar as ações, os espaços
as dimensões, as emoções. Bastaria um simples passo
em direção a porta, a janela, ao infinito
seria simples como um riso de criança na praia.
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P.S.:Meu e de minha amiga!

sábado, março 06, 2004

CHORO

Escorrem, agora, novas lágrimas
Simplesmente porque deu vontade de chorar
Não sei o verdadeiro motivo disso
Pode ser pela criança que vejo no farol desde sempre
Pode ser pela minha falta de confiança
Pode ser por um amor perdido
Pode ser por tantas coisas

Mas prefiro simplesmente chorar
Sem motivo, realmente nem quero pensar em motivos
Mania que temos de querer entender tudo
Foi o que me falaram e eu concordei...

As vezes choro sem lágrimas
Choro por dentro
E não sei qual é o pior
Viajando por linhas de pensamentos
Viajando pela história... tanta tristeza
Tem como não chorar??

Lavo meu rosto
Água e lágrimas se misturam
Um disfarce perfeito para um homem
Que não sabe chorar em público
Chora em companhia da tristeza
Em companhia de palavras...
E por anos chorou junto com o vinho

Ele, o vinho, nem tem mais o mesmo efeito, a mesma graça
Minha reserva também já se esgotou...
E minha paciência com esse mundo está indo por esse caminho
Como continuar? Como continuar esse poema?

Sou um poeta fajuto
Não sei escrever, não tenho uma boa amizade com a Dona Gramática
E pior que tive oportunidades valiosas...
Sempre demoro para dar o devido valor as coisas!
Foi a mesma coisa com os vinhos
A cada gota chutada no meio estômago
Era considerada uma tristeza amarga,
matando a felicidade que tinha a obrigação de ter...

A mesma coisa com a Dona Gramática
A mesma coisa com o vinho
A mesma coisa com esse mundo

Isolado volto a chorar,
E pelo que dessa vez?
Não sei... Não quero saber... E tenho raiva de quem sabe!!!