domingo, agosto 29, 2004

NOVO DIA?

Será que me resta tinta na caneta?
Será que me resta idéias novas usadas na cabeça?

Toda resposta que tenho
se faz uma nova pergunta
o caminho mais fácil
de se fingir um caminho
é andar para trás

Doenças espalhadas pelo
ódio de um homem
Crises e crises em copos de vinho

Vá de encontro a novas perguntas
experiências novas já vividas
por alguém conhecido

O seu dia de amanhã
já foi vivido por alguém
o câncer da rotina
já me atingiu

O que é um novo dia
se ele já foi meu ontem ?
vida vivida por passos usados

quarta-feira, agosto 25, 2004

NEM SEI

Do silêncio a rua
Do barulho a casa
Muito sol na rua
Pouco sol em casa

Meu suor escorre

Muita coisa a se fazer
sem pensamentos no meu pé
Correndo atrás de um cérebro
que talvez não seja meu

O mundo acontece lá fora
e eu aqui dentro de paredes

Quando alguém cair
avise-me
todos os remédios
podem estar na minha mala

Meu corpo reage
a impulsos do meu inconsciente
O meu eu está dentro dessa
pequena parte de meu louco cérebro

Alguém grita meu nome
Tchau...

sábado, agosto 21, 2004

MENTIRA

Escrevo, escrevo
e o tempo passa
no relógio da parede

Alguém grita meu nome
olho para o relógio
os ponteiros fugiram
Estou atrasado?

Um encontro
você nem se importa,
você tem relógio?

Besteiras são ditas
Mais um minuto de vida tranqüila
por favor

Tantos atalhos para minha vida
estão de baixo de seu nariz
você tem meu telefone
por que não me liga?

Talvez a culpa seja minha
mas pelo menos mais uma vez
mostre interesse

Eu tentei tantas coisas
eu falei e você desligou os ouvidos
eu nem sei como você está
só vejo fotos suas
e você está parada
mas vejo meu reflexo em seus olhos

Sinto-me triste
Sinto-me velho
mas para vocês, meu sorriso falso
minhas palavras alegres

Uma faca
para cortar
uma linha de pensamento
um beijo
para cortar minha boca
e fechar esse ferimento

quarta-feira, agosto 18, 2004

MENTE INSANA

Um desafio para meu cérebro
vida constante
gritos e gritos em minha mente
palavras mais ao pé do ouvido

Não quero mais
não te quero mais
mesmo com meus pensamentos em você

Coca maldita

Dias percorrendo corredores
em um hospital fechado
sangue pelas paredes
o branco de seus olhos

Impressiona, me impressiona
toda essa sua arrogância
meu cérebro louco
que me pega desprevenido
e me leva ao poço fundo

Tem água lá em baixo
Será que está limpa?
toda essa coisa eu já ouvi

Minha história e a sua
tem um mesmo capítulo
contado de forma diferente
Talvez eu use o Nós
e você Eu

O importante está
no percurso do grande rio
que caminha para a fazenda
de gados vivos que já nascem mortos

Por que você está sentada
não me olhando?!
e você nem me viu,
não me deu oi
e outro você me viu
me deu oi e me abraçou

Coisas acontecem ao meu redor
e tantas outras não
Por que o tempo é importante?

Livres descasos de uma mente insana

sábado, agosto 14, 2004

VISÃO DO INFERNO

O silêncio me incomoda
paredes mortas ao meu redor
tudo que é vivo não respira
chuto ossos

A sombra formada
pela luz do sol morto
desenha uma arvore em mim

Melancolia e depressão
afeta minha visão do mundo
meu destino é um caminho
cheio de degraus quebrados
que vão de encontro ao buraco
negro que engole a Terra

Corro em pensamentos tenebrosos,
perdido estou
meu futuro vejo
em águas sujas do mar de reflexos
cheio de passado e tristeza

Visão do inferno
cada dia mais claro em minha mente
Visão do inferno
tão distante da perfeita face
Visão do inferno
um suspiro do fim

Escuridão,
aqui estou
domine-me
leve-me daqui
do céu ao inferno tão facilmente
uma perseguição incomoda por corredores
e pátio hipócritas

quinta-feira, agosto 12, 2004

UM BRINDE

Levante-se e destrua
O ultimo chamado de vida
foi perdido em alegorias queimadas

O copo quebra ao encher-se
Temos que acabar em fogo
que a água irá apagar

Portas violadas determinam
tantas coisas em minha cabeça
O passado domina meu pensamentos

De escadas novas
passos quebrados me derrubam
fazendo-me sangrar pelo caminho

Panos sujos transformam-se
em esquinas vazias
iluminadas pela cor

Sem sentido
sangue enche seus olhos
e eu choro

Razões para acreditar
no outro lado da moeda
entre a cara e a coroa

sexta-feira, agosto 06, 2004

DESENHANDO AS LETRAS

Rodo as palavras na minha mão
Coloca a cabeça no travesseiro
Durmo e sonho
Tontura, giro, bagunça, mistura

Anos 60 nos anos 90
O presente querendo o passado de presente
A loucura para voltar ao tempo
Ela diz...
e eu...
Oi e tchau

Lustre sua testa
tenha idéias novas
Gavetas escondidas
nas paredes

Desenhando as letras
fazendo palavras
dando sentido para alguém
Escrevendo desenhos dos meus
pensamentos, dos meus desejos