quarta-feira, junho 30, 2004

CONSTANTE

Isso não é o fim
é uma constante linha
que atinge meu cérebro

Toda música que escuto
é uma desculpa para chorar

Talvez seja uma homem
no espelho
ou apenas um garoto
que não sabe o que dizer

Olho em volta e só
encontro saídas
trancadas por um leve pensamento
um principio que dá no fim,
fim que transcorre
numa estrada constante
que até do arco-íris passa

O fim talvez
talvez não é o fim

Posso ficar escrito para sempre
em estradas que formam folhas de asfalto
passando por vírgulas, pontos finais,
por pontos de exclamação, de interrogação,
por reticências ...

segunda-feira, junho 28, 2004

ROMANTISMO DO INFERNO

Eu te assisto
sem perceber você em outros pensamentos
a distância que você cria entre nós
não faz diferença para a eternidade

Você nem mais está lá
sentada no banco com seus amigos
fazendo-me esquecer os olhares
que tinha por você

Viajo com palavras
só entendidas por mim
minha inspiração faz sombra para a morte
a morte de um amor que não teve chances

Eu crio minhas histórias
mas o fim quem faz é você

Estou sempre sozinho
sem saber no que vai dar
mas para que pensar no fim
vivo uma começo sempre

É estranho viajar por olhares novos
tantas coisas são escondidas
e o que eu tenho são olhares
que são portas trancadas para mim

Você nem existe
é apenas uma história sem fim
que estará sempre na gaveta de rascunhos
cultivando minha esperança

A única coisa que tenho
são casos ilusórios
que me fazem respirar
mas que trancam ainda mais meu coração

Pensando melhor
coração... que patético, romantismo do inferno
acredito mais no ódio
do que no amor

Chego na conclusão que
na verdade não te amo
mas sim
TE ODEIO!

sábado, junho 26, 2004

TALVEZ O MUNDO

Uma primeira palavra
dita de bocas insanas
um grito de revolta
em busca de alguma revolução

Talvez tentando acabar com o mundo
Talvez tentando acabar com o meu mundo

Disputas que ocorrem em meu corpo
Buracos de bala espalhados
Vejo em meu corpo o sentido da guerra
marcas que arrastaram-se para sempre

Uma marca em especial
reina sobre corpos
um rastro no céu
com um tiro desperdiçado

O nada permanecera para sempre
em espaços vazios
em meu campo de batalha
em meu corpo

Talvez o mundo não tenha sentido
Talvez o meu mundo não tenha sentido

Maneiras da revolta explodir em mim
e meu corpo se espalhar
O cheiro podre envolve uma discussão
que se espalha no vazio

Meu sangue serve
para alimentar olhos que clamam pelo fim
Meu sangue e o nada
se misturam

Se espalham para o fim criar forças
e dominar o mundo
a morte será a solução
a revolta em forma de cruz

Talvez o mundo esteja pintado de vermelho
Talvez o meu mundo esteja pintado de vermelho

sexta-feira, junho 25, 2004

MORTE DIÁRIA

Mais uma folha em branco
com riscos idiotas
Palavras, quem as inventou?
Tem o poder para explicar tantas coisas
mas consegue perder para o
que palavras não conseguem explicar
Um olhar...

Para ser mais exato
o seu olhar
procuro no dicionário uma palavra desconhecida
para definí-lo
Seu olhar fala tantas coisas
que meus ouvidos não conseguem escutar

Seus olhares e o que
você fala para mim
brigam em minha mente
Em seu olhar vejo tanto desejo
e de você escuto só desprezo

Seus olhos...
Suas palavras...
Vejo muito mais do que
você imagina
e tenho tantas certezas
e você tantas mentiras

Por que isso?!

Com tudo que você fala
morro um pouco por dia...

segunda-feira, junho 21, 2004

APENAS UM SORRISO

Isso só é o fim
do começo de um cara,
um cara com rosto triste
precisando apenas de um sorriso

Entre o fim e o começo perco-me
Nem sei bem que rua é essa
Onde estou?
Perdido entre ruas e definições
Querendo me fincar em um sorriso

Carregá-lo comigo para onde quer que eu vá
Segurá-lo entre minhas mãos

Quero você com um jeito inocente ao sorrir
para amar-te de todas as formas que o amor se molda
Ou simplesmente amar você, seu sorriso
da forma mais sincera e natural do mundo
Não quero nada em troca, apenas seu sorriso

Definir isso para mim é difícil
Penso que o que sinto não precisa ser explicado
Nem sei aonde quero chegar com isso
Apenas não quero ficar perdido nessa rua
Quero ter meu destino apontado para você

Nem assinarei esse poema
Não quero que você leia-o sabendo que fui eu que o escrevi
Quero ficar num amor escondido
num amor bandido, pensando melhor
um amor bandido não, sei que você achará isso muito cômico
e realmente é!
Mas não disse que quero apenas seu sorriso?
Então...

Acima de tudo quero um sorriso sem passado
Talvez isso seja muito decepcionante para mim
Mas o meu passado é decepcionante, infelizmente...
Mais um motivo que não assino no fim

Escondendo-me atrás de palavras
atrás desse amor

Tenho apenas um pedido a lhe fazer
que me deixe vê-la sorrir
nem que eu seja o motivo da graça toda
só quero me alimentar de seu sorriso
só quero ficar feliz com seu riso

Prometo que vou amar mais seu sorriso do que você
bem mais fácil...porque eu sei e sinto
que única coisa que eu posso ter de você
é seu sorriso

domingo, junho 20, 2004

SEGURANDO SUA MÃO

Uma só ação
para o próximo ato
vejo paredes redondas ao meu redor
Por que não dormir o dia todo?

Respiro do mesmo jeito
debaixo d'água, das suas garras

Círculos abertos
preencho de cores

Mesmo que todo sangue
do mundo caiba na minha mão
não mudarei de opinião

Todo banho que tomo
não serve para
limpar a água suja
que está comigo

Só porque você
se foi estou assim
seu sangue ainda
está em meu rosto,
em meus olhos

Você não mais viu
mas eu ainda estava lá
segurando sua mão
Mesmo com tantos não

Mas você se foi
nunca esquecerei o que vi
mas você não está mais aqui

Não posso mais lhe
dizer tudo que queria,
queria poder ter a chance
de estar com você
para poder brigar ao menos

Cobrar de você
respostar perdidas entre tantos sei lá
queria poder ter estas respostas
é difícil viver num desentendimento

Um dia encontrarei as respostas
que quero
talvez depois de muita reflexão
ou depois de um livro de Freud

Realmente é difícil entender
uma mente que leva tanta porrada
Talvez seja essa a resposta

Vivemos num mundo
que amanhece em sangue
que amanhece sem dinheiro
que amanhece sem respeito
que amanhece em desespero

Esse mundo é uma
máquina de gerar porrada

É estranho, o que foi
feito para dar alegria
é um disfarce para poupar a dor

sábado, junho 19, 2004

CONSTANTES PENSAMENTOS

Constantes pensamentos
a procura incansável de soluções
Soluções para minha vida
Quero sempre uma solução nova a cada dia

Problemas, problemas
um novo problema a cada dia
problemas com soluções trancadas em cofres
Vou procurar soluções armado,
armado de ira,
essa procura me deixa louco
paranóias se formam em minha mente

Saiba que serei feliz
um dia, talvez a solução seja a morte
mas até ela chegar vou vivendo
vivendo e aprendendo

Risco palavras, misturo tudo
isso é mais um problema
a violência explode em brigas de sentidos

Nem quero mais isso!
Isso o que?
Isso tudo...
um dia de saco cheio!!

terça-feira, junho 15, 2004

A ÁRVORE

Uma síndrome invade uma cidade
Árvores desmaiam
Rios em mares vermelhos se transformam
a ignorância domina a sua mente

As folhas caem dementes
como pensamentos hipócritas desfolhados
do frio da alma. Não há ninguém que ouça
ou veja
ou fale.
estamos todos sós como folhas doentes.

Somos doentes dementes
caídos no chão como folhas mortas
com o coração riscado
no tronco da árvore

E a seiva ainda escorre do tronco
o canivete ainda perfura nosso vazio
abandonados a própria sorte
afundados numa cama azul e sem coberta.

Mente vazia,
durmo olhando para o branco de sua sombra
atrás das grades soltas de uma parede
e pela janela de tijolos
vejo o verde, aquela nossa árvore

Atrás das grades eu vejo tudo entrecortado
o azul do céu não me anima
mente vazia,
tempo ocioso, tempo ocioso
aquela árvore vai morrer um dia.

Tudo morre um dia,
o que é eterno é o tempo
o velho e bom tempo
Que morre em sentimentos
que cria novos desejos

Como um símbolo matemático infinito
tudo recomeça do principio.
mas o tempo não é sempre razoável
ele faz os sentidos adormecerem
e acordarem num mesmo instante.
um novo desejo reanima as horas incessantes.

E a árvore morta ou não
sempre estará em nossas mentes, corações
um símbolo para a imagem
de ser ou não ser
razões, motivos, discussões

Sempre estará lá como motivo de acordar
todas as manhãs cinzentas ou azuis.
e mesmo distante de todas as coisas
a imagem verde ainda povoará os espaços
dos nossos pensamentos

Um dia após o outro
um cigarro após o outro
vou acabando com minha vida
Um fogo após o outro

domingo, junho 06, 2004

DIFÍCIL ENTENDIMENTO

Eu não tenho boa memória, eu não tenho uma história
eu só tenho um flash back de um filme qualquer.
existe algo dentro de você que me pertence,
seria a minha história ou a minha alma doente?

Acho que uma alma doente,
uma alma que se evapora
saí pelos beijos à toa
o desperdício de uma alma tola
saí correndo,
procura-se

Existe algo de mim preso entre os seus sonhos, as suas ruas
mas você nem se importa, joga fora o meu catálogo,
onde as partes da minha memória tinham ficado.
os meus pensamentos voam pela rua como folhas soltas.

Aquela rua que anda sozinha
ecoando passos que não existem
a sombra criada abaixo da luz
pode ser daquela alma procurada
pode ser daquela pessoa odiada

Tantas são as possibilidades, tantas são as placas
a minha alma vira a esquerda, numa rua abandonada.
mas não há ninguém lá, nenhuma alma penada,
somente a minha sombra esquecida e descarada.

Tantos caminhos que levam para o mesmo fim
a pedra que foi atacada em minha cara
faz ele tropeçar mais adiante
irregulares, tensos...os minutos
o tempo me avisa
preciso correr
viver a fantasia
celebridades
TV

Eu preciso roubar de mim o que falta em você
mas é tão curto o tempo. Eu encurto o meu jeito
para não tentar esquecer. Eu jogo fora todas as coisas fúteis
eu jogo fora o que me liga ao mundo que você vê.

Você para mim é mais fútel que a novela
jogue-se fora, um favor você faz
recicle-se...
a sua rua, sua sombra, sua luz,
seus pensamentos
O mundo que eu vejo?
você, numa caixa quadrada....

Jogue-se fora, dispa-se da sua hipocrisia
deixe o meu pensamento a salvo da sua monotonia
Escureça a sua rua, deixe a minha rua liberta
eu não tenho intenções de fechar as paredes da sua cela, do seu cubo escuro,
mas pretendo colar-lhe todas as faces, deixando teu mundo obscuro.

Não tenho mais respostas a lhe dar
minha cabeça pesa nesse momento
meu cérebro enojado com suas palavras
você me dá preguiça de pensar

Eu não tenho tempo para gastar, fecho as janelas
eu não tenho culpa, eu não tenho tempo.
Eu não tenho desculpas para rasgar como seda
eu só tenho palavras e sono.

e o que resta de mim para você
é isso:
.