terça-feira, fevereiro 08, 2005

O INSTANTE DO AMANHA

A minha visão impede o muro
chute e socos são vazados pelo ar
a minha calma
acaba num lindo dia de sol

A minha paz acaba no verde do farol
palavras, palavras jogadas fora
ninguém prestou atenção, nem mesmo eu,
e quando percebo o vazio vejo
já é tarde, preciso ir embora.

Preciso ir embora
morrer para nascer em outro dia
novas expectativas assolam-me
na virada de mesa
o chão me segura

Mas não por muito tempo
não há um limite pra minha queda.
Eu caio sobre o colchão e acordo
sem mesmo perceber os raios de sol
acontece todo dia: eu apago e reacendo
e mesmo assim não lembro dos meus sonhos.

Um sonho, mera ilusão
pesadelos são reais
deles eu lembro
querendo esquecer meu caderno de anotação
a minha realidade está no papel

A minha realidade É o papel
e a minha vida se desenrola numa canção
me perco entre notas, maços de notas falsas
fico beirando a realidade por ingratidão
a mim mesmo. Espero acordada a realização de um desejo.

Desejo comum a tantos outros seres
vencer a vida antes dela nos matar
as necessidades tornam-se
um complexo na sociedade
pobre de dinheiro
pobre de espírito

Da beira da minha cama eu vejo as pessoas passando
com suas camisas fechadas, seus sapatos apertados
e me pergunto onde eu me encaixo nisso tudo?
A vontade de me mover como uma peça de xadrez
nesse jogo solitário
vence a vontade do meu vizinho:
lucrar, lucrar e engordar sozinho!

Fecho os olhos e bato meus pensamentos na parede
analiso meus passos
corro das minhas atitudes
viajo no meu tempo perdido por você
quero mais morrer em seus prazos
tempo que me leva e busca

Eu acho que me fechei para o resto
quando apaguei o caminho que fiz
não sei voltar, estou sozinho
e você acha graça, permanece rindo
naquela foto de tanto tempo atrás.

A foto registra o tempo que passou
a magia fica para trás
e não volta mais,
o caminho que faço para frente voltando
explode de rancor

explode de caos e amargura
me sinto invertida por dentro
por fora pedra, por dentro espuma
morrendo a cada instante sem perceber.
mas quer saber. Eu não ligo!
a minha vida se resume a isso.

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